Hoje cruzei-me contigo.
Naquele sítio em que passamos tanto tempo, naquele lugar
que acaba por ser como uma segunda casa para nós.
Senti um frio na barriga quando te vi… quando os nossos
olhares se cruzaram, eu estremeci.
Confesso que me passou pela cabeça falar-te, mas não saberia
o que te dizer. Nem tenho a certeza se me irias responder e muito provavelmente iria transformar-se
numa situação um pouco constrangedora para ambos.
Pergunto-me se pensas em mim, se alguma vez pensaste ou
se querias meramente divertir-te como, aparentemente, fazes com tantas outras.
Apesar de nunca termos falado muito, sinto que mexes
comigo. Sinto que se começasses a falar comigo novamente e se me conseguisses
convencer de que querias algo, eu me deixaria arrebatar… que eu iria ceder sem
pensar duas vezes.
Sinto-me uma parva por pensar assim e que apesar de tudo
o que se passou eu sei que, muito provavelmente, cometeria uma loucura se tu o
quisesses.
E embora tenha estado um longo período de tempo a tentar
construir toda esta confiança e toda esta auto-estima, e apesar de ainda ter bastante
receio de me magoar e de destruir toda esta estrutura que consegui cultivar,
sinto que arriscaria sem hesitar e sem pensar nas consequências desse acto.
Simplesmente, porque sei que necessito de uma nova
aventura, que preciso de arriscar e parar de pensar tanto nas consequências dos
meus actos.
Tenho noção de que já desperdicei imensas oportunidades,
devido ao facto de estar constantemente a pensar no que poderá correr mal se
arriscar, se me aventurar por águas desconhecidas.
